Análise Indiscreta

Super 8 (Idem, 2011)

Publicado em Sem categoria por Alexandre em 23/01/2012

Se Super 8 desse certo mesmo, seria um dos melhores filmes de 2011. Não é. Mas é uma diversão agradável, especialmente nos primeiros trinta minutos. A longa sequência fundamental – a da filmagem amadora com o acidente envolvendo o trem logo depois – é extremamente empolgante e deliciosa de se ver. Acho que tudo ali ficou no lugar certo. É o melhor momento do filme.

Super 8 é nostálgico. E nostalgia está na moda. Especialmente os anos 80. A história se passa em 1979, mas 1979 já é anos 80. Também é verdade que, de todas as décadas do século passado, essa é a que mais repercute hoje e os produtores souberem aproveitar bem isso. O clima que J. J. Abrams imprime ao seu filme é bastante competente e bonito na maioria das vezes. Os personagens também são carismáticos – não são estúpidos. O pecado aqui é o seu roteiro.

É interessante e inspirador que toda a história comece a partir do testemunho de crianças que estavam no lugar errado e na hora errada – ou seria no lugar certo e na hora certa? – fazendo um filme de terror amador. Só não são tão bacanas os contornos posteriores: a homenagem se torna lugar comum. A ação passa a ser previsível, culminando com um desfecho melodramático demais para um filme que deveria ser descompromissado.

As crianças fazem de tudo para concluir a filmagem delas. Mas estão presas ao espírito de Abrams (e Spielberg). Isso quer dizer que Super 8 está longe de ser amador. Precisa lucrar e ser grande. Por isso, podemos esperar demasiadas explosões e tiroteios. E hoje em dia qualquer vidro quebrado é um estrondo. Aliás, é impressão minha ou os filmes estão cada vez mais escuros e barulhentos? Às vezes é impossível enxergar o que diabos está acontecendo – e se essa é uma estratégia de suspense, creio ser equivocada. Sugestão e escuridão não se confundem.

Mesmo com seus problemas, Super 8 é entretenimento raro para as crianças, jovens e adultos. Aqui ainda há uma inocência perdida. Há uma atmosfera diferente. É um filme que pode ser sentido – ele interage com os espectadores. Enfim, não é pura masturbação cinematográfica. Tem um certo espírito que cresce nos momentos preliminares da ação propriamente dita e, infelizmente, vai murchando. Como resultado, no final temos a impressão de estarmos vendo um filme qualquer. No entanto, seria injusto enquadrá-lo nessa categoria. Super 8 não é super, mas quase chegou lá.

Nota: 7

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3 Respostas

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  1. Bernardo F Versiani disse, em 24/01/2012 às 3:53 pm

    Gostei da tua lupinha – meio Inaciana. E a minha nota é a mesma, btw.

    Por sinal, já viu Tintin? Melhor dessa safra recente da grife Spielberg.

    • Alexandre disse, em 24/01/2012 às 4:32 pm

      Inaciana? Não sabia da existência desse termo, hehehe. Eu ainda não vi Tintin, mas verei amanhã, acho – só que em 2D mesmo. Viu em 3D, né? Vale a pena pagar mais que o dobro por ele?

  2. Bernardo F Versiani disse, em 24/01/2012 às 9:43 pm

    hahahaha…. inventei agora.

    Cara…. mais que o dobro, não. Vai de 2D que tá diboa. Mas tem o melhor uso do 3D numa sequência de ação que já vi. É pontual, mas achei fodão.


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