Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958)

James Stewart e Kim Novak em uma das cenas mais atraentes do cinema.

Quase tudo já foi dito sobre Vertigo. Desde quando teve seu status elevado à obra-prima indiscutível, sucessivas dissecações foram feitas a respeito deste que é o filme mais atípico, denso, pessoal (provavelmente) e brilhante do mestre. Não há novidades – pelo menos não da minha parte – a serem ditas; são os sábios clichês que todos levantamos sobre a obra: o estudo da obsessão e desejo incontroláveis, que levam o personagem de James Stewart aos mais profundos mergulhos psicológicos; e a culpa que acompanha todos os passos e atitudes dos protagonistas (o que inclui uma das personagens femininas mais complexas que já se teve notícia, interpretada pela maravilhosa Kim Novak). Vertigo é um sonho – ou um pesadelo em Techinocolor, como disseram os críticos na época de lançamento – tão atordoante, poderoso, trágico e ao mesmo tempo belo (graças à habilidade em lidar com cores que parecem estar em uma luta implacável, mas que na verdade estão em perfeita harmonia: fortes ou suaves elas dizem sempre alguma coisa à narrativa) que é capaz de provocar milhares de sentimentos em pouco mais de duas horas.

Scottie: Listen to me. Listen to me.
Madeleine: [calmly] You believe I love you?
Scottie: Yes.
Madeleine: And if you lose me, then you’ll know, I loved you. And I wanted to go on loving you.
Scottie: I won’t lose you.
Madeleine: Let me go into the church – alone.

(…)

Scottie: [to Judy, after being taken to the scene of Madeline’s death] No, no. I have to tell you about Madeleine now. Right there.
[Pointing]
Scottie: We stood there and I kissed her for the last time, and she said, ‘If you lose me you’ll know that I loved you and wanted to keep on loving you.’ And I said, ‘I won’t lose you.’ But I did.
[pause]
Scottie: And then she turned and ran into the church. I tried to follow, but it was too late.

Muitos críticos consideram Vertigo a maior obra-prima de Hitchcock. Concordo: divide o posto com Rear Window – e é quase impossível dizer qual duas duas é melhor; talvez sejam dois exemplares perfeitos em propostas distintas de cinematografia, que no final das contas têm um objetivo comum: arrebatar com os sentimentos do público. E se isso não for a principal razão do cinema, qual será?

Anúncios

8 comentários sobre “Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958)

  1. O filme mais importante da minha curta carreira cinéfila… não há palavras capazes de descrever minha sensação ao final do filme… também acho maior que Rear Window, apesar deste ser meu segundo predileto do gordito, o que representa muito, mas muito mesmo!…

  2. Em tempo:

    01. Vertigo
    02. Rear Window
    03. Psycho
    04. Shadow of a Doubt
    05. Notorious
    06. North by Northwest
    07. Dial M for Muder
    08. The Birds
    09. The Wrong Man
    10. Strangers on a Train

  3. nhé… nem… muito afetadinho esse filme… não consegui me envolver em momento algum com ele… só o James Stewart, e algumas boas sacadas do Hitch, salvam…

  4. É um excelente filme – é de Hichcock, como não seria? -, mas penso que ele tem melhor. Muito melhor! Gostei muito do especial, também fiz um em Março! Passa pelo seeSAWseen!

    Abraço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s