Janela Indiscreta (Rear Window, 1954)

Escrever sobre o seu filme favorito deve ser uma das tarefas mais difíceis do mundo e, mesmo que se resolva arriscar, algo no íntimo diz que tal tentativa poderá contaminá-lo de alguma forma. Portanto, prefiro não me alongar e apenas fazer um pequeno comentário: Janela Indiscreta resume o cinema. James Stewart, Grace Kelly e Thelma Ritter somos nós, espectadores, observando através da janela como se estivessem vendo um filme, mas com um diferencial: aqui eles realizam o sonho de todo amante do cinema, pois interagem e até mesmo manipulam o que antes apenas observavam; assim, criam seu próprio filme de uma forma absolutamente emocionante porque as imagens se concretizam e o destino passa a ser o principal roteirista – e dele pode-se esperar qualquer coisa. Certa vez um crítico de cinema americano fez a seguinte provocação a  François Truffaut: “You love Rear Window because, as a stranger to New York, you know nothing about Greenwich Village”. O francês deu a melhor resposta possível a essa declaração absurda: “Rear Window is not about Greenwich Village, it is a film about cinema, and I do know cinema”.

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