O Segredo das Jóias (John Houston,

Este é um dos melhores filmes de John Huston, fruto da fase mais grandiosa de sua carreira (dois anos antes havia feito sua obra-prima máxima, O Tesouro de Sierra Madre). Não é difícil compreender a importância de The asphalt jungle: não fosse por ele, talvez Kubrick não tivesse filmado O Grande Golpe (1956) de forma tão madura, assim como, já na década de 90, Cães de Aluguel não teria “reinventado” o gênero – se ele já não estivesse consolidado como uma linha interessante no cinema: a dos filmes de assaltos, em que grupos de bandidos planejam, executam e depois sofrem as conseqüências do ato. E o filme de John Huston foca basicamente nas conseqüências do roubo – no preço a ser pago. Dessa maneira, assim como Hitchcock tantas vezes fez na sua carreira, o destino passa a ser também um personagem importante da trama: os mínimos descuidos, como passar em um bar para tomar uma cerveja e ver uma bela moça dançar, quando a fuga já não permite devaneios, pode ser fatal. E deveria ser, na linha do pensamento dos corruptos e criminosos de sangue frio. Mas os criminosos de John Huston são, antes de tudo, humanos. Eles sofrem pelos seus atos, mas sob uma ótica compreensiva, como se eles fossem na verdade mais alguns entre os tantos perdidos na selva da sociedade – a selva asfaltada, onde a corrupção, a miséria, o abuso de poder e a desigualdade social estão intimamente ligados e, dessa forma, atiçam o que há de pior na personalidade humana. Huston trata a tragédia dos seus personagens como se fosse ele a figura divina, pronto a perdoar os criminosos em uma outra vida.

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