Vício Maldito (Blake Edwards, 1962)

Apesar de ser dirigido por Blake Edwards e estrelado por Jack Lemmon, dois grandes mestres do humor refinado no cinema americano, Days of wine and roses é, na verdade, um drama bastante denso para sua época. É um estudo consistente sobre o alcoolismo, verdadeiro destruidor de carreiras, famílias, seres humanos. Não é o tema que importa aqui – até porque existem muitos trabalhos semelhantes por aí – mas a maneira com que a história – no caso, o desmoronamento de um casal, que tinha tudo para ser estruturado e feliz – é levada com segurança e sem parecer exagerada demais. Days of wine and roses é como um grande disco de jazz: tem momentos excitantes, mas as baladas melancólicas sempre surgem para lembrar que a tristeza também existe. E, aqui, chega um momento é em que quase tudo é melancólico. O casal, com altos e baixos (mais baixos do que altos), tenta se livrar do vício maldito assim como qualquer outro alcoólico anônimo do dia-a-dia. Jack Lemmon e Lee Remick (como esquecer dela depois de Anatomy of a murder?) representam esses alcoólicos, cada qual com seus problemas particulares, uns mais graves que outros, mas todos vítimas de uma loteria: é o prêmio mais baixo que incita às apostas maiores, as mais perigosas, aquelas que mostram que existe o momento de parar quando se começa a perder demais.

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