Crown, o Magnífico (Norman Jewison, 1968)

The Thomas Crown Affair é um êxtase cinematográfico, uma obra que consegue assimilar o entretenimento com o requinte estético comparável a filmes como North by northwest [Intriga Internacional, 1959] e Charade [Charada, 1963]. A direção pop de Norman Jewison, também este um grande realizador, trabalha paralelamente com outros brilhantes quesitos, como a trilha sonora, o figurino (as moças vão adorar as roupas de Faye Dunaway) e as cores vibrantes, para inserir o público ao ambiente único dos anos 60 – este é um daqueles filmes que captam o que há de melhor no cinema de sua época; parece emergir das telas o otimismo sessentista, naquela explosão cultural que soube valorizar a diversão, o entretenimento, de uma forma atrevida, ousada, intensa, mas nunca vulgar.

Em The Thomas Crown Affair, Steve McQueen é um empresário de sucesso, um bon vivant que lidera grandes roubos não por necessidade, mas por prazer, é a aventura e os seus subseqüentes riscos que o atraem. Ele orquestra um grupo que envolve pessoas diversas e desconhecidas: nenhuma peça conhece a verdadeira identidade do líder, nem ao menos a sua face.

Após assaltar de uma banco a quantia de quase 3 milhões de dólares, Thomas Crown passa a ser investigado pela provocante, inteligente e eficaz “detetive” de uma seguradora que aposta nela para reaver a quantia furtada. Interpretada por Faye Dunaway, a investigadora costuma fazer uso de práticas inescrupulosas e até ilegais para se aproximar dos golpistas. Inicia um affair com Thomas Crown ao admitir para ele que está lidando com o principal suspeito do crime: sabe ela que os riscos fazem parte da personalidade dele, e administrá-los pode ser sua principal arma na sedução.

O público, então, se deliciará com uma espécie de jogo de gato e rato, ou melhor, de gata e gato: os dois são espertos o suficiente para trapacearem entre si sem que isso os ofenda; sabem eles que, no fundo, são parecidíssimos, apenas estão em lados opostos. Estão mesmo? É o que saberemos no decorrer deste filme, que possui, dentre todas as qualidades citadas, a segunda melhor cena de xadrez da história, sem dúvidas a mais excitante.

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