À prova de morte (2007)

Os vinte minutos iniciais de Death Proof dão a impressão de ser este um filme passado na década de setenta. A fotografia retrô, as personagens e o carro em que andam, os temas das conversas, a trilha sonora… tudo nos remete a uma outra época. Só após um celular aparecer em cena, nos damos conta de que aquilo ali está acontecendo agora, nesta geração – todos aqueles indivíduos, e a atmosfera que os circunda, fazem parte do presente criado pelo universo de Quentin Tarantino, um autor que reescreve o cinema para impor o seu estilo. Ele, um dos cinco diretores mais talentosos em atividade, mais uma vez mostra como a diferença entre o bom cinema e o que tem sido feito ultimamente é gritante – como poucos, Tarantino consegue nos transportar para a tela: na longa (e maravilhosa) sequência do bar, eu também estou lá, observando como aquelas fascinantes figuras se comportam, como eles (e principalmente elas) são diferentes e muito mais divertidos do que toda a mediocridade ao meu redor. E essa capacidade do diretor em dialogar o passado com o presente se sobressai ainda mais em Death Proof, que (pelo menos sob meu ponto de vista) é mais do que uma homenagem aos filmes grindhouse, é a exibição de uma alternativa ao cinema: a de conciliar ainda mais a cultura pop cinematográfica do passado com o presente – para que, quem sabe?, transportar-nos para um futuro melhor. É muita sacanagem existir apenas um Quentin Tarantino no mundo. Mas ainda há esperança.

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