Carol Reed e sua parceria com Orson Welles em The Third Man

Orson Welles, diretor Carol Reed (à direita) e Joseph Cotton (sentado, à esquerda) tomam chá no set de The Third Man antes de gravarem o famoso discurso do relógio cuco (1949).

Q. Como foi trabalhar com Welles?

Carol Reed: Magnífico! Maravilhoso!

Q. Ele não tentou se dirigir?

Reed: Ele foi difícil apenas em relação à data do início das filmagens, dizendo-me como estava ocupado com isso e aquilo. Então eu disse “Olha, estaremos em locação por cinco semanas. Qualquer semana – nos avise com dois dias de antecedência e estaremos prontos para você. E me dê uma semana de sete no estúdio.” Ele se manteve nisso. Orson, em uma manhã, saiu do trem em Viena direto para as filmagens, e nós fizemos sua primeira cena às nove horas. “Jeez”, ele disse, “este é o modo de se fazer filmes!” Ele atravessou o Wiener Prater, disse duas linhas para Joseph Cotten e então eu disse “Volte para o hotel, faça um café da manhã; nós estamos indo para os esgotos, e então o chamaremos.” “Ótimo! Maravilhoso!”

Ele desceu dentro do esgoto e disse “Carol, eu não consigo encenar esta parte!” “Qual o problema?” “Não consigo fazer isso. Não consigo trabalhar dentro de um esgoto. Eu vim da Califórnia! Minha garganta! Estou com tanto frio!” Eu disse, “Veja bem, Orson, no tempo em que está nos levando a falar sobre isso, você pode fazer a cena. Tudo que você tem que fazer é ficar ali, olhar para fora e ver se há algumas policiais atrás de você, virar-se, e fugir.” “Carol”, ele disse, “Consiga outra pessoa para fazer isso. Não posso trabalhar nessas condições.” “Orson, Orson, nós estamos acesos para você. Apenas fique ali.” “Tudo bem, mas faça isso rápido!” Então ele olha para fora do bueiro, vira e corre para dentro do esgoto. Então, de repente, eu ouço uma voz gritando “Não desligue as câmeras. Não desligue as câmeras. Estou voltando!”

Ele corre de volta, através do rio inteiro, fica debaixo de uma cascata sobre sua cabeça – está fora do alcance da câmera, diga-se – e faz todo tipo de coisa, então ele volta absolutamente molhado. “Como foi isso?”, ele pergunta. “Magnífico. Maravilhoso!”, eu digo. “Certo. Voltarei ao hotel. Quando precisar de mim, pode me chamar.”

Com Orson, você sabe, tudo tem que ser um drama. Mas não havia discussões de qualquer tipo, no final das contas.

Extraído do excelente Old Hollywood.

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