O estilo abrange tudo

“O estilo abrange tudo. Qualquer um pode fazer planos extravagantes. Há quem julgue que o estilo consiste em mexer a câmara sem parar. Isso é muito comum. Vi um filme, uma noite destas. O realizador não parecia saber o que estava a fazer: havia planos fixos, outros que não paravam quietos. Perguntei-me o que levaria este realizador a chamar a atenção para ele, quando havia dois bons actores. Era neles que se devia concentrar. A mesma coisa com uma paisagem: se é boa, é suficiente. Tomemos o filme de John Ford, My Darling Clementine. Estou a pensar no plano de Henry Fonda, sentado na varanda, os pés no parapeito. É um plano bastante, que dura e conta imensas coisas. Há um milhão de histórias, neste plano. Hoje, fariam um zoom sobre o rosto da personagem, antes de andar à volta dele com a “dolly” até apanhar o outro perfil, antes de fechar sobre o rosto muito depressa. Perder-se-ia muito tempo, quando basta um único belo plano. É preciso ter coragem de fazer durar um plano sem mexer a câmara.”

Clint Eastwood

Retirado do blog Cine Modern Times.

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4 comentários sobre “O estilo abrange tudo

  1. Algo me diz que “esse realizador” que o Clintão se refere é o Gaspar Noé. Se for, eu concordo com ele.

    1. Fellipe, a verdade é que há várias possibilidades para se encaixar nesses termos. Hoje em dia, câmera excessivamente tremida é normal tanto nos filmes de “arte” como nos pipocões de Hollywood.

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