Contra o tempo (Source code, 2011)

Há uma bomba prestes a explodir em um trem que passa por Chicago. Um dos passageiros é na verdade um espião, um militar que tem como missão não desativar a bomba, mas descobrir qual dos outros passageiros a implantou. Isso porque o que se procura não é evitar essa tragédia, mas sim a próxima. Explicando melhor: tudo o que se passa é na verdade uma reconstrução de evento passado – a explosão do trem e assassinato de centenas de pessoas – através de uma técnica inédita, desenvolvida na memória de uma pessoa já morta (um dos passageiros), para evitar nova e iminente tragédia.

A tecnologia usada é explicada em determinado momento de Source code. Quer dizer, os realizadores fingem que explicam e o público finge que entende. Enfim, não há importância – simplesmente é assim que as coisas acontecem na história. Infeliz é aquele que tenta compreender tudo e encontrar brechas no sistema, pois está tendo sua atenção desviada ao que existe de mais relevante em cena, isto é, a ação propriamente dita. O que não quer dizer que as falhas do roteiro – da história em si – não saltem aos olhos, tamanha a fragilidade do material.

Eis o segundo filme do filho de David Bowie. São temas comuns com parte da carreira do pai: o fascínio diante da ficção científica, o avanço da tecnologia e suas conseqüências no homem comum e a busca deste por sua identidade. Ao menos eles estão tanto em Source code como no trabalho anterior de Duncan Jones, o mediano Moon. São, porém, como é de se esperar, personalidades obviamente diferentes, e não é por acaso que o filho queira se desvincular da figura artística do pai, já aposentado mas nunca esquecido. Como diretor de cinema, há um certo talento, ainda a se explorar, em Duncan Jones, mas por enquanto é cedo para ter algum tipo de empolgação.

Inegáveis, no entanto, são as opções estéticas acima da média que tem feito o diretor. E não só: a escolha dos temas também chama a atenção diante da superficialidade do cinema contemporâneo. Mas, ressaltando outra vez, há uma enorme diferença entre teoria e prática. Source code é quase um bom filme: sua premissa é interessante, mas a execução, o que verdadeiramente importa, decepciona.

De concreto, o bom gosto na escolha surpreendente em ter como principal cenário um trem. Isso dá certo charme ao filme, uma espécie de The lady vanishes adaptado ao problema atual do terrorismo. Mas o filme de Hitchcock não se contaminou com engenhocas modernas, nem efeitos especiais irrelevantes ou discursos sobre direitos humanos – era entretenimento em sua pureza, muito mais ingênuo e também palpável. Duncan Jones pode vir a ser um nome interessante, mas não é na sua suposta característica principal – a ficção científica “inteligente” – que esse caminho parece se traçar.

Anúncios

Um comentário sobre “Contra o tempo (Source code, 2011)

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s