A pele que habito (La piel que habito, 2011)

É compreensível o desgosto de parte do público ao novo filme de Almodóvar. Realmente, em determinados momentos, a trama incomoda – ou por um ou outro excesso novelesco (o que não é novidade) ou pela bizarrice da história. Com relação ao segundo aspecto, é provável que a recorrente referência homossexual na carreira do diretor – podendo ser até mesmo encarada como panfletária – atrapalhe mais do que ajude. Muitos devem pensar – como eu pensei, antes do desfecho – que Almodóvar tenha caído em sensacionalismo apenas para chocar a platéia ou impor uma certa liberalidade exagerada, notadamente em relação ao transsexualismo. Mas não: o final se mostra exatamente o oposto daquilo que em determinado momento da trama pareceria se anunciar – o que seria desastroso – e finaliza com respeito a obra. Gostando-se ou não de sua ideologia, há de reconhecer, pelo menos os espectadores mais afeitos ao bom cinema, os raros momentos de verdadeira autoria cinematográfica de Almodóvar no contexto da atual indústria. A fotografia de José Luis Alcane funde o noir com as cores mais vivas. A câmera revela a capacidade de um cineasta maduro e com enorme bagagem cultural. O elenco é de alto nível – Antonio Banderas, aliás, em seu melhor filme desde Femme fatale. Enfim, tecnicamente é uma produção louvável. E não só: a história ficará por um bom tempo na cabeça de praticamente todo o público, positiva ou negativamente, mas sempre com respeito ao poder do cinema. Finalmente, o período dos bons filmes começou.

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