Caminho para o nada (Road to nowhere, 2010)

Um filme dentro de um filme – e talvez dentro de mais um outro. É como Inception. Só que enquanto Christopher Nolan trata sua obra como uma questão de matemática, Monte Hellman, ao contrário, aposta na abstração, na “poesia”, naquela linha fajuta de que os filmes sem historinha são mais artísticos ou talvez mais puros. Este é Road to nowhere, um filme tão puro que não dá nem para se sentir – como se nada tivesse acontecido.

O mais estranho é que, se compararmos a situação inicial dos personagens com a final, vemos que tanta coisa mudou. Mas será que alguém sentiu isso no desenvolvimento da narrativa? Ou há apenas um conjunto de imagens que pretende desafiar a própria natureza do espectador? Porque não dá para acreditar que uma história tão complexa, tão intricada quanto esta aqui, possa ser tratada literalmente como um nada, como uma anti-história, e ainda assim algumas pessoas saiam do cinema satisfeitíssimos com tanta arte, com tanto “cinema”, sem nem saber o que aconteceu momentos antes.

Road to nowhere é como Chinatown, só que sem roteiro. A segunda metade parece um exercício de improviso e displicência. Ou talvez Monte Hellman queira desafiar e romper com a mente “modelada” do público, ainda que isso signifique tédio e dor de cabeça. E não é porque é um filme de metalinguagem, fetiche de dez em cada dez cinéfilos, que ele necessariamente seja bom. Pois Road to nowhere não passa de um exercício pedante e esnobe.

Um filme dentro do filme dentro de outro filme… Mas onde há filme? Com exceção dos primeiros trinta minutos (período em que se concentra os momentos mais bonitos e coerentes) não resta mais alguma coisa a ser aproveitada. Filmes como esse são importantes apenas no quesito “produção barata que não pareça tão amadora”. Mas enquanto se fizerem coisas tão anticomerciais assim, tão distantes das fórmulas naturais que verdadeiramente atraem o “grande público”, enfim, enquanto não se gaste dinheiro fazendo experimentações inúteis, o cinema, já tão sem graça, não vai ter mesmo mais pra onde ir além deste caminho para o nada.

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