Deus salve a piscina!

(…) Hollywood, como se sabe, tornou-se Hollywood apenas porque oferecia sol e tempo seco o ano inteiro – daí o cinema ter-se mudado de Nova York para lá em 1909 e só então ter-se tornado uma indústria. Os primeiros magnatas dos estúdios construíram as primeiras mansões da região (mansões, mesmo, com noventa ou cem quartos) e já as equiparam com piscinas. Mas, em pouco tempo, alguns de seus principais atores ficaram também tão ricos que seguiram o exemplo: Mary Pickford e Douglas Fairbanks, Pearl White, Charles Chaplin, Harold Lloyd. Os magnatas, longe de se incomodarem, acharam ótimo: cinema é fantasia e, se pudesse promover a idéia de que os astros levavam uma vida de sonho sob um sol que nunca se punha, tomando refresco pelo canudinho, isso seria bom para os negócios. Cinema era uma diversão barata e sua platéia eram as grandes massas que levavam vidas medíocres (ou seja, “normais”), às vezes passando frio e necessidades. O sonho lhes enchia a barriga, embora não garantisse o bronzeado.  (Ruy Castro; Glamour à beira da piscina; 31/7/1999)

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