Estranhos Prazeres (Kathryn Bigelow, 1995)

stange days

Estranhos prazeres é simplesmente espetacular.

Começando com o roteiro, escrito por James Cameron e Jay Cocks, que trabalhou duas vezes para Martin Scorsese em A época da inocência e Gangues de Nova York, cuja premissa é absolutamente genial: em plena virada do século, uma nova forma de entretenimento está se dissipando pelo mercado negro: trata-se de filmes que são gravados em primeira pessoa e posteriormente comercializados, ou seja, experiências reais que são vendidas para serem, de fato, sentidas, através de um mecanismo ligado às ondas cerebrais (ou algo parecido, quem se importa?) pelos consumidores.

Há experiências das mais diversas, desde assaltos e fugas por criminosos até o ponto de vista de uma garota tomando banho num chuveiro. Enfim, tudo começa a se complicar quando o comerciante/traficante/protagonista da história, interpretado por Ralph Phiennes, depara-se com a gravação de um serial killer que estupra e depois mata uma prostituta que trabalhava para ele. E tudo isso em plena virada do século, véspera do ano 2000, num contexto apocalíptico de tensão social e histeria coletiva, aumentada pelo assassinato não explicado de um rapper negro nacionalmente famoso (alguém pensou em Cosmópolis?). Não sei se o leitor conseguiu visualizar do que se trata, mas eu logo adianto que é algo entre Philip K. Dick e Dario Argento…

Muitas coisas acontecem em Estranhos Prazeres, a ponto de o filme parecer que a qualquer momento vai despirocar e ficar uma porcaria, mas milagrosamente isso não acontece; ele continua firme, quase sempre intacto, completamente alucinado e mágico. É bem verdade que o filme tem lá seus excessos e alguns personagens ridículos, mas, no geral, considerando toda a sua miscelânea, é uma obra de ficção científica/ação/suspense notável, com orçamento inclusive alto para um filme tão excêntrico, do tipo que não se vê mais atualmente (pelo risco de se perder dinheiro, o que de fato aconteceu – 42 milhões de orçamento e apenas 8 milhões em bilheteria nos Estados Unidos).

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2 comentários sobre “Estranhos Prazeres (Kathryn Bigelow, 1995)

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