Um alguém apaixonado (Like someone in love, 2012)

Em seu pequeno comentário sobre o filme, Inácio Araújo diz o seguinte: “O espectador dos filmes de Abbas Kiarostami nunca é um preguiçoso, porque ou ele se assume coautor ou sai do cinema indignado. (…) Estamos num filme sem início e sem final. Ou antes: talvez o final e o início incumbam a nós, coautores, descobrir. O que duplica o prazer de estar com essas belas imagens”. Saí do cinema indignado e não tive prazer nenhum. Porque, sem negar o requinte visual do diretor em uma ou outra sequência de Um alguém apaixonado, não dá para aceitar este grande nada em tela. Ultrarrealismo não é comigo não! Como as pessoas podem aguentar minutos e mais minutos com os diálogos mais banais? Cenas enooooooormes dentro de um automóvel? Diálogos e mais diálogos bobos. Significam o quê? A realidade da vida humana? Façam-me o favor! Esse filme não tem consistência alguma. Mesmo sem ser um especialista do cinema de Kiarostami, afinal de contas, só tinha visto dele o ótimo Cópia fiel (2010), posso questionar essa afirmação típica do Inácio Araújo – “o espectador se assume como coautor ou sai do cinema indignado”. Em Cópia fiel, até onde me lembre, o filme chegou pronto para mim. Fui envolvido. E nunca tive a pretensão de ser “coautor” de nada. Já fizeram a teoria do autor, agora querem fazer a teoria do coautor? Enfim, no final das contas, em Um alguém apaixonado só presta a beleza física da protagonista, interpretada por Rin Takanashi, apesar de essa personagem, já na metade do filme, começar a me irritar. Na última cena se tornou insuportável. Resumo da ópera: trata-se de um filme que poderia ter 15 minutos, ou seja, é uma bela de uma porcaria.

O que presta:

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4 comentários sobre “Um alguém apaixonado (Like someone in love, 2012)

  1. Gostei muito do filme. Kiarostami é um dos raros cineastas atuais a fazer cinema com tamanha paciência e delicadeza. Enfim, gosto é gosto. Abs.

  2. Assim como o Rafael, também gostei muito do filme. Busque outros filmes dele, especialmente os da década de 90. Uma coisa é certa: você não será poupado das cenas em automóveis. Abs.

      1. Close-up é uma obra-prima. Dez, mais recente, foi feito inteiro dentro de um carro e Gosto de Cereja, também quase todo.

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