O pequeno rincão de Deus (God’s little acre, 1958)

Apesar de ter se baseado em um best seller nos Estados Unidos, God’s little acre foi rejeitado tanto pela crítica como pelo público quando lançado. Provavelmente esperavam dele um épico sobre a saga de uma determinada família do sul rural dos Estados Unidos. Na verdade, Anthony Mann criou um anti-épico. A “saga” da família liderada pelo patriarca Ty Ty Walden – em interpretação GIGANTE de Robert Ryan, uma das melhores de todos os tempos, sem exagero – não obedece a uma ordem clara de início-meio-fim e nem alcança um grande momento de sucesso, pelo contrário, é composta de diversos momentos patéticos e melancólicos – sem abandonar, porém, o bom humor, que acaba por tornar o filme uma comédia dramática. Nele há mais ou menos uma dezena de personagens relevantes, todos muito bem explorados por Anthony Mann e pelos roteiristas Philip Yordan e Ben Maddow, que conseguem transmitir um tom dramático realmente vivo à trama. Sim, os atores esbanjam uma naturalidade teatral impressionante. Mas o destaque mesmo fica por conta do brilhantismo de Robert Ryan ao interpretar o patriarca obcecado em encontrar ouro nas suas terras, em uma anti-saga quixotesca e, aparentemente, inútil. Por vezes patético e hilário, o personagem comove na sua tentativa de manter unida a sua família apesar de todas as desavenças e dificuldades da vida, transmitindo sua sabedoria e força de vontade em continuar seguindo em frente.

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5 comentários sobre “O pequeno rincão de Deus (God’s little acre, 1958)

  1. Infelizmente ainda não vi esse Mann. Quem conhece diz que é imperdível. Dos westerns dirigidos por ele nos anos 50 só me faltam esse, “Devil’s Doorway” e “The Last Frontier”.

    1. É excelente. Acabaram de lançar esse release HD na internet. Inclusive postei no MakingOff, com legenda. Caso você tenha conta, pode ir lá baixar. 🙂

  2. Tentei comentar no seu blog, mas não consegui. Então vai aqui mesmo:

    “Sempre que penso na discussão da forma no cinema me lembro dos anos em que meu interesse pelos filmes extrapolou o âmbito das imagens e foi de encontro ao papel desempenhado pela crítica. Meu gosto pela leitura surgiu nessa época, estimulado pelas questões que só um texto bem redigido é capaz de levantar. Como era de se esperar, a minha relação com a sétima arte só veio a se aprofundar a partir dessa ocasião. Confesso que levei um bom tempo para compreender a razão pela qual a forma era mais celebrada do que o conteúdo.”

    Rodrigo, você poderia deixar aqui algumas recomendações de livros/textos que foram importantes nessa sua aprendizagem? Abraços.

  3. Alexandre, minha cinefilia foi fomentada sobretudo pela leitura de jornais, Folha de S. Paulo e Estadão, sobretudo. Sendo assim, aprimorei o gosto pela coisa lendo Inácio Araújo, José Geraldo Couto, Cassio Starling Carlos, Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio. Desde 1995, tenho o hábito de guardar em papel de jornal mesmo os textos ou críticas que me chamaram a atenção. Daria pra editar um livro a respeito.

    As publicações que me foram importantes não devem ser muito diferentes das que exerceram influência sobre você, já que a grande maioria delas foi editada em português e pode ser encontrada em qualquer Saraiva. Gosto muito dos livros de entrevistas, especialmente dos mais antigos, muito antes do formato assumir um carater descaradamente comercial. Hitchcock/Truffaut e “Afinal, quem faz os filmes?” do Bogdanovich são referências obrigatórias. “A Experiência do Cinema”, do Ismail Xavier também é excelente, embora seja teórico ao extremo. Ainda não li o “Cinefilia” do Antoine de Baecque, mas já está na fila de espera. Gosto da lista “Great Movies” do Roger Ebert e acho imprescindível tanto o filme como o livro “Uma viagem pessoal pelo cinema americano” do Martin Scorsese.

    De uns 10 anos pra cá, a internet tem desempenhado a melhor das contribuições, embora seja mais fácil encontrar porcaria do que coisa que preste. De tudo que está listado no meu espaço (nem gosto de chamar de blog porque está longe de o ser), consulto a maioria frequentemente e gosto sobretudo da Revista Cinética. O seu mesmo, é um que sempre estou a bisbilhotar.

    Apesar de toda a parafernália tecnológica de hoje em dia, não consigo deixar de frequentar uma sala de cinema. Mesmo com uma criança de 9 meses em casa, o que dificultou bastante as minhas saídas, ainda faço questão de assistir um filme nesse formato. Sorte que minha esposa é compreensiva. O ano passado eu perdi a Mostra, esse ano eu volto a frequentá-la.

    E você Alexandre, conta um pouco da sua bagagem.

    Abraço.
    Rodrigo

    1. Comigo também a internet tem sido a melhor das contribuições (textos, críticas, fóruns, conversas com amigos, blogs). Mas como você disse, exceção na internet é coisa que preste. Também li bastante as críticas (não todas) de Antonio Moniz Vianna reunidas no livro “Um filme por dia”, organizado por Ruy Castro (do qual tenho “Um filme é para sempre).

      O do Scorsese é, de fato, excelente. Li também algumas coisas do livro da Pauline Kael, “Criando Kane” (bom, apesar dos textos enormes). A Taschen também lançou uns livros sobre cinema interessantes – acabei comprando dois, um sobre John Ford, outro sobre Antonioni. Meu amigo Bernardo Versiani também me presenteou “O cinema é Nicholas Ray”, com um conteúdo incrível que ainda preciso explorar com mais carinho. Enfim, ainda preciso adquirir mais, hehe (penso em comprar logo o Hithcock/Truffaut e, provavelmente, algum sobre teoria cinematográfica).

      Também tô sempre indo ao cinema, apesar do horário corrido e do nível muito baixo dos filmes em circuito. Mas uns 90% dos filmes que vi na vida foram na televisão, infelizmente.

      É isso, Rodrigo! Abraços!

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