Meus filmes preferidos de 2015

Entra ano, sai ano, e o roteiro é o mesmo: goste-se ou não, é a cerimônia do Oscar que praticamente encerra o ano que passou no cinema. Aproveitando esse momento de revisão, fiz um TOP 15 pessoal, no qual resolvi incluir filmes que foram lançados em 2015 nos seus países de origem – também neste caso fica difícil escapar dos Estados Unidos – ou filmes de 2014 que chegaram nos cinemas brasileiros a partir do segundo semestre do ano passado. Creio que esse critério acaba sendo mais sensato, levando-se em consideração o mercado de cinema nacional (afinal de contas, quase todos os filmes mais “relevantes” chegam por aqui nos meses de janeiro e fevereiro). Enfim, sem mais delongas, com comentários nos dez primeiros, eis a lista:

1. Um Amor a Cada Esquina (She´s Funny That Way, Peter Bogdanovich, EUA, 2014):

Shes.Funny.That.Way.2014.1080p.BluRay.x264.YIFY.mp4_snapshot_01.21.19_[2015.11.12_01.31.43]

Se essa linda homenagem de Peter Bogdanovich a um dos gêneros essencialmente americanos – a screwball comedy – não recebeu o devido valor na crítica especializada atual, especialmente nos EUA, a culpa certamente não é do filme. De qualquer forma, foi um milagre algo assim ter sido produzido, inclusive com atores conhecidos por todos, como Owen Wilson e Jennifer Aniston – embora o destaque seja mesmo a jovem Imogen Poots que assume o protagonismo com excepcional brilho. É um verdadeiro presente para muitos que, assim como eu, saíram renovados da sessão. Recomendo que leiam a crítica que Gilberto Silva Jr. fez para o site da Revista Interlúdio, realmente à altura dessa maravilhosa obra-prima.

2. Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, George Miller, EUA, 2015)

mad max

Um filme intenso, repleto de vigor e personalidade, qualidades cada vez mais raras na grande indústria contemporânea. Para mim, foi a experiência mais marcante em uma sala de cinema no ano passado, até porque esse é um daqueles filmes que merecem ser vistos com a maior tela e com o melhor som. É possível até afirmar que a nova versão da franquia de George Miller já está marcada na cultura pop: difícil mesmo esquecer personagens tão fascinantes quanto Furiosa, Immortan Joe, Nux (“WITNESS ME!”), o próprio Mad Max, o cara insano que toca guitarra durante as perseguições… Enfim, um filmaço que trata sobre uma das histórias básicas da humanidade: a peregrinação, a necessidade de enfrentar as adversidades em busca de um futuro melhor, nem que para isso seja preciso atravessar o deserto tendo como encalço um bando de psicóticos assassinos.

3. Corrente do Mal (It Follows, David Robert Mitchell, EUA, 2014)

it follows film still

Tá aí mais um filme que tem tudo pra se tornar clássico cult para as próximas gerações. Com poucos recursos, o diretor David Robert Mitchell conseguiu realizar uma obra admirável, tensa, obscura, em certo ponto até sarcástica, capaz de ser interpretada de várias formas. Um daqueles exemplares que comprovam que o verdadeiro medo está naquilo que não se conhece. E o que dizer da trilha sonora? Já vi duas vezes e creio que em breve haverá um terceira. De madrugada, claro.

4. O Homem Irracional (Irrational Man, Woody Allen, EUA, 2015)

irrational man

Embora perca o fôlego em alguns momentos, especialmente quando as pistas do homicídio vão surgindo de forma um tanto didática e preguiçosa, O Homem Irracional consegue expor, com frescor e leveza, o conflito moral e o sentido profundo do ato irreversível de tirar a vida de outra pessoa, isto é, o assassinato premeditado, não aquele banal que se vê nos noticiários todos os dias, e sim o assassinato realizado pelo homem civilizado, racional, capaz de sentir remorsos e compreender a complexidade da vida humana. Para mim, o melhor filme de Woody Allen nesta década.

5. Divertida Mente (Inside Out, Pete Docter e Ronnie Del Carmen, EUA, 2015)

Inside Out

Com certeza, uma das obras máximas da Pixar. Divertida Mente é engraçado, divertido, engenhoso, extremamente inteligente – para crianças e adultos. Estava imaginando como um filme desse tipo pode realmente mudar a percepção de vida de uma criança, especialmente nestes tempos de felicidade obrigatória e superficial nas redes sociais. Bravo!

6. A Travessia (The Walk, Robert Zemeckis, EUA, 2015)

the walk 2015

Mesmo que não tenha sido caro para os padrões da indústria americana, o último trabalho de Robert Zemeckis resultou em um fracasso em termos de bilheteria. Uma pena, porque poucos filmes recentes conseguiram resgatar a mágica que deveria existir em filmes como esse – que aqui no Brasil poderia ser enquadrado como “de Sessão da Tarde”. E também creio que poucos usaram tão bem o 3D, que aqui se torna uma ferramenta realmente significativa para a construção da trama e não mero caça-níquel.

7. Carol (Todd Haynes, EUA, 2015)

carol movie

Embora seja mesmo um dos melhores do ano, confesso que fiquei um pouco frustrado ao fim da sessão de Carol. Isso porque, apesar de toda a sua beleza visual (melhor fotografia do ano), das atuações maravilhosas de Rooney Mara e Cate Blanchett e da direção clássica e segura de Todd Haynes (um dos maiores diretores que surgiram nos anos 90), fiquei com a sensação de que faltou alguma coisa na trama, especialmente nos momentos finais, para que o filme realmente me arrebatasse. Mas com o tempo ele cresceu na minha memória e me parece cada vez mais bonito e sensível. Com certeza merece uma revisão.

8. Hacker (Blackhat, Michael Mann, EUA, 2015)

blackhat

Mesmo com alguns problemas difíceis de serem ignorados, Blackhat é mais um filme que carrega a marca do cinema único de Michael Mann: vigoroso, cheio de sentimentos humanos e cenas de ação extremamente bem filmadas, totalmente em digital, pela primeira vez na carreira do diretor. A sequência do clímax é uma verdadeira aula de cinema. Mais um que merecia melhor sorte nas bilheterias.

9. Bone Tomahawk (S. Craig Zahler, EUA, 2015)

Bone-Tomahawk-000

Um faroeste misturado com terror. Se esse subgênero existe, este aqui foi o primeiro que conheci na vida. Melhor reproduzir as palavras do Ronald Perrone, do Demmentia: “Numa época em que muitos novos diretores de produções de gênero abordam seus trabalhos como uma piada sem graça em forma de homenagens, é muito bom ver um filme sério, sem bijuterias imagéticas, que não tem medo de assumir riscos e que preza por originalidade e subversão. O fato é que Zahler fez o filme que queria fazer. Há pouquíssima preocupação comercial, uma narrativa lenta que deixaria fãs de JOGOS VORAZES com úlcera no estômago, um tipo de humor ácido que me agrada muito, desdobramentos pouco ortodoxos e um grau de violência extrema que não se vê todo dia em salas comerciais. É bom ver, portanto, que o filme encontrou seu público, uma audiência que vai saber apreciá-lo bem mais que os das salas multiplex”.

10. Os Oito Odiados (The Hateful Eight, Quentin Tarantino, EUA, 2015)

THE HATEFUL EIGHT

Sim, é longo demais. Sim, é excessivo, especialmente na terça parte final. Também não gosto da forma como os filmes mais recentes de Tarantino, desde Bastardos Inglórios, tem se inclinado quando se aproximam do desfecho, algo como “dar ao público o que ele quer”, prática um tanto bestificante, enfim. Mas apesar disso, o inegável talento do diretor se sobressai, presenteando o público com cenas sensacionais e quase sempre extraindo o melhor dos atores. Gostei mais da primeira metade do filme, parecia mesmo que estava vivendo aquilo tudo (talvez o ar-condicionado da sala tenha colaborado um pouco): se o nível tivesse sido mantido, certamente estaria no top 5 do ano. Não diria que Os Oito Odiados decepcionou, já que me parece muito melhor do que Django Livre, mas ainda assim saí da sessão com a sensação de que poderia ter gostado ainda mais.

11. The Lobster (Giorgos Lanthimos, Reino Unido, 2015)

the lobster

12. Chatô, o Rei do Brasil (Guilherme Fontes, Brasil, 2015)

chatô

13. Tangerine (Sean Baker, EUA, 2015)

Tangerine.png

14. Victoria (Sebastian Schipper, Alemanha, 2015)

victoria-laia-costa

15. Missão: Impossível – Nação Secreta (Mission: Impossible – Rogue Nation, Christopher McQuarrie, 2015)

Mission-Impossible-Rogue-Nation-rebecca-ferguson-actress-38789772-1920-1080

Anúncios

2 comentários sobre “Meus filmes preferidos de 2015

  1. Parabéns Xandy, adorei seus comentários, é bom ouvir sobre filmes que não estiveram nas grandes salas de Salvador. Vou tentar assistir alguns desses que vc listou, continue escrevendo sobre cinema!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s