Uma declaração para Sunset Boulevard

Adoro (re)ver clássicos em tela grande. Acho que a presença do público [ouvir suas risadas, seus gemidos e pequenos sons e perceber suas reações] e a magia de estar dentro de um cinema mudam muito a perspectiva que nós temos a respeito dos filmes, em geral. Por causa disso, hoje revi pela 353463574756876 vez Crepúsculo dos deuses no Teatro Nelson Rodrigues. Ele é parte da mostra História da Filosofia em mais 40 filmes. Devo dizer que Norma Desmond, minha personagem favorita em TODO o cinema [coisas que só Billy Wilder faz por você], nunca me pareceu tão alucinada, tão digna de pena e tão fascinante como desta vez. E é ainda mais irônico quando o personagem de William Holden [lindo como em nenhum outro filme] diz que a vida acabou tendo piedade de Norma Desmond e as câmeras se voltam para ela. Mas, o que ele não contava [nem nós] é que no final, cruelmente, a câmera embaçaria, o filme terminaria e ela não teria o seu tão sonhado close-up. A única personagem que não consegue o que quer [Joe Gillis tem sua piscina e Max “dirige” a cena do auge da loucura de Norma]. E pela 353463574756876 vez, eu me apaixonei pelo filme. Como cada uma das outras vezes.

“They took the idols and smashed them, the Fairbankses, the Gilberts, the Valentinos! And who’ve we got now? Some nobodies!”

Escrito por Lívia Lima. 

Grandes filmes de verão #3

Mulheres bonitas, praias, piscinas, pôker, bares, cruzeiros, viagens em trens, essas coisas.

Crown, o Magnífico (The Thomas Crown Affair, 1968)
A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953)
Boogie Nights - Prazer Sem Limites (Boogie Nights, 1997)
O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955)
Era Uma Vez no Oeste (C'era una Volta il West, 1968)
Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981)
Charada (Charade, 1963)

Grandes filmes de verão #1

Mulheres bonitas, praias, piscinas, pôker, bares, cruzeiros, viagens em trens, essas coisas.

Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955)
Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953)
007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964)
A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967)
Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958)
Um Tiro no Escuro (A Shot in the Dark, 1964)
Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959)

60 anos de Crepúsculo dos Deuses

A apresentação impecável do ambiente coadjuva com eficiência o estudo da personalidade de Norma Desmond: a mansão desolada, verdadeiro mausoléu de recordações; a exposição de fotografias da estrela, que se espalham por várias salas e por cima de todos os móveis. Claustrofóbica e narcísica, Norma tem ainda um salão de projeção, onde faz passar somente seus velhos filmes, e assiste ao seu próprio desempenho com incontida emoção: vendo sua face jovem em Queen Kelly [Minha Rainha] (inacabada realização de Erich von Stroheim), levanta-se e, colocando-se de perfil no jato luminoso do projetor, grita exaltada: “Nunca mais farão rostos como este”. A sua revolta ante o cinema sonoro que pôs fim à sua carreira (“Enforcam uma arte com uma corda de palavras”) é passionalmente sincera – e esse desajuste é magistralmente exposto na cena em que ela visita os estúdios da Paramount: no set de Samson and Delilah [Sansão e Dalila], sentada na cadeira de DeMille, ela empurra, com desprezo que esconde certo temor, o microfone monstruoso que se aproxima de seu rosto. Ainda nessa visita aos estúdios, há outra excelente cena, na qual Norma é reconhecida pelos seus velhos companheiros, agora reduzidos à condição de “extras” ou simples auxiliares de filmagens, e, cercada por eles, mais uma vez se ilude com a imortalidade de sua glória. Todas essas cenas não têm, evidentemente, a impiedade do convite que levou Norma a procurar DeMille, na ilusão de que este aprovara seu script, quando o estúdio apenas queria alugar a sua Isotta-Fraschini; mas nenhuma é tão grande quanto a cena final, na qual, inteiramente fora de si após ter assassinado o amante, Norma confunde as câmeras dos new-reels que vêm documentar o crime com as de Cecil B. DeMille e, dirigida pelo devotado Max, executa, grotesca e tragicamente, a dança de Salomé. Um momento antológico.

Por Antonio Moniz Vianna.