Um dia com Eva Green

E amanhã as aulas recomeçam…

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Grandes filmes de verão #2

Mulheres bonitas, praias, piscinas, pôker, bares, cruzeiros, viagens em trens, essas coisas.

Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)
007 - Cassino Royale (Casino Royale, 2006)
Hatari! (Hatari!, 1962)
Sonhos Eróticos de Uma Noite de Verão (A Midsummer Night's Sex Comedy, 1982)
Essa Pequena é uma Parada (What's Up, Doc?, 1972)
O Desprezo (Le Mépris, 1963)
Um Caminho Para Dois (Two For the Road, 1967)

Os Sonhadores (2003)

Interessante o modo como Bernardo Bertolucci reflete nos três personagens principais de The Dreamers a pura face do cinema, ainda que esta use diversas máscaras para dialogar com o observador das imagens: a face do voyeur, cujos olhos pertencem ao diretor, também observador, mas manipulador que, por um momento, e por uma questão de tática, nos empresta o seu olhar (guiado pelo alcance de sua câmera) – é uma questão de tática porque possui um objetivo: contar uma história e nos fazer acreditar que aquilo realmente está existindo.

Matthew (Michael Pitt), Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel) são personagens essencialmente voyeurs: observam o mundo do lado de fora como um prolongamento do mundo cinematográfico; nas ruas a revolução acontece e a mudança brusca se aproxima, mas eles permanecem isolados em um apartamento, observando e analisando, como um público entretido na sala de um cinema. Observam mas também são observados por nós – é como estivéssemos passando a perna neles, exercendo dissimuladamente o voyeurismo sobre o voyeurismo. Assim, talvez uma frase indique exatamente o que é The Dreamers: quando o personagem de Michael Pitt diz para o personagem de Louis Garrel, os dois tomando banho em uma banheira, “Eu li na Cahiers du Cinéma. Um cineasta é como um espreitador. Um voyeur. Como se a câmera fosse o buraco da fechadura dos quartos dos pais. Você os espia, fica enojado, mas não consegue desviar o olhar…”.

O público, neste caso, espia toda a excentricidade que acontece naquele apartamento, como os jovens se relacionam de uma forma peculiar, bizarra e arriscada, como amam e vivem o cinema e a maneira com que suas personalidades os isolam de todo um processo revolucionário tomando conta nas ruas. E a atenção para o mundo externo, mais para os personagens do que para o espectador (afinal de contas, a segunda metade não prende mais nossa, ou pelo menos a minha, atenção quanto a primeira), só é desviada quando “a rua invade o quarto”, quando um objeto concreto usado como arma traz para dentro, com a quebra de parte da janela, um som áspero e, a seguir, o barulho da movimentação do povo, em pleno embate entre os governantes e governados no auge das reinvidicações do ano de 1968.

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