Uma Aventura na África (John Huston, 1951)

– Pronto, Senhorita. Gostou?

– Se gostei?

– Da água espumosa das corredeiras.

– Nunca imaginei…

– Não a culpo por ter tido medo. Qualquer pessoa com juízo teria.

– Nunca imaginei que uma experiência física pudesse ser assim tão estimulante!

– Como, Senhorita?!

– Poucas vezes antes experimentei este tipo de excitação! Algumas vezes apenas, com os sermões do meu querido irmão, quando o Espírito Santo tomava posse dele!

– Quer dizer que está disposta a continuar?

– Naturalmente.

– Está louca, Senhorita?!

– Perdão?

– Sabe o que podia ter acontecido se tivéssemos batido em alguma rocha?

– Mas não batemos! Confesso-lhe que estou admirada com a sua perícia, senhor Allnut. Acha que se eu treinasse um pouco mais ao leme, algum dia poderia tentar?

– Senhorita, deixa eu te dizer uma coisa, estas corredeiras não são nada comparadas com as que se seguem! Pensando melhor, nem sequer as chamaria de corredeiras!

– Mal posso esperar!

(…)

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30 Day Movie Challenge (Parte 3)

Pra terminar o desafio.

Day 21: Movie with your favorite actor:

Day 22: Movie you wish you could live in:

Day 23: Movie that inspires you:

Day 24: Movie with your favorite soundtrack:

Day 25: Movie with the most beautiful scenery:

Day 26: Movie you’re most embarrassed to say you like:

Day 27: Movie with your favorite villain:

Day 28: Movie with your favorite hero:

Day 29: First movie you ever remember watching:

Day 30: Last movie you watched:

 

O Segredo das Jóias (John Houston,

Este é um dos melhores filmes de John Huston, fruto da fase mais grandiosa de sua carreira (dois anos antes havia feito sua obra-prima máxima, O Tesouro de Sierra Madre). Não é difícil compreender a importância de The asphalt jungle: não fosse por ele, talvez Kubrick não tivesse filmado O Grande Golpe (1956) de forma tão madura, assim como, já na década de 90, Cães de Aluguel não teria “reinventado” o gênero – se ele já não estivesse consolidado como uma linha interessante no cinema: a dos filmes de assaltos, em que grupos de bandidos planejam, executam e depois sofrem as conseqüências do ato. E o filme de John Huston foca basicamente nas conseqüências do roubo – no preço a ser pago. Dessa maneira, assim como Hitchcock tantas vezes fez na sua carreira, o destino passa a ser também um personagem importante da trama: os mínimos descuidos, como passar em um bar para tomar uma cerveja e ver uma bela moça dançar, quando a fuga já não permite devaneios, pode ser fatal. E deveria ser, na linha do pensamento dos corruptos e criminosos de sangue frio. Mas os criminosos de John Huston são, antes de tudo, humanos. Eles sofrem pelos seus atos, mas sob uma ótica compreensiva, como se eles fossem na verdade mais alguns entre os tantos perdidos na selva da sociedade – a selva asfaltada, onde a corrupção, a miséria, o abuso de poder e a desigualdade social estão intimamente ligados e, dessa forma, atiçam o que há de pior na personalidade humana. Huston trata a tragédia dos seus personagens como se fosse ele a figura divina, pronto a perdoar os criminosos em uma outra vida.

The other side of the wind

John Huston, Peter Bogdanovich e Oja Kadar em filmagem.
Orson Welles e John Huston nos bastidores.

“The Other Side of the Wind” era aguardado para ser o mais ambicioso filme de Orson Welles, utilizando filmagem inovadora e novas técnicas de edição para o cinema do início dos anos 70. Embora tenha negado qualquer ressonância autobiográfica, também parece ser o filme mais pessoal de Welles, com comentaristas que leram o roteiro sugerindo que ele contém uma série de caricaturas veladas de pessoas que irritaram o diretor durante sua carreira.

O personagem de Huston – o arrogante, diretor de barba branca chamado Jake Hannaford – carrega uma distinta similaridade com Ernest Hemingway, enquanto Pauline Kael, a crítica de cinema, é a provável inspiração para a arrogante personagem chamada Juliette Rich, de acordo com Chuck Berg, escrito na “Encyclopedia of Orson Welles”, de 2003.

O filme também inclui cenas de sexo explícito, algumas com sua parceira de longa-data Oja Kodar, que inclusive co-roteirizou o filme.

A peça central do filme de Welles é uma festa pródiga de 70 anos lançada em homenagem a Jake Hannaford, durante a qual o diretor fictício exibe trechos de seu filme, também chamado “The Other Side of the Wind”. Entre os convidados da festa estão equipes de documentários para televisão, jornalistas, e estudantes de cinema, que pegam a câmera e filmam seqüências de bastidores da celebração, criando múltiplas camadas da narrativa e pelo menos um filme dentro do filme.

Para ler mais sobre a obra-prima [por enquanto] perdida de Orson Welles, clique aqui.

Em 2007, Peter Bogdanovich disse que a produção estava 99.9% concluída. Mas a previsão não se confirmou, e ainda não se sabe exatamente quando o filme será, enfim, concluído e lançado. Parece que o aguardado momento chegará em breve. Torçamos.

Moby Dick

Gregory Peck como Capitão Ahab, 1956

“Moby Dick foi o filme mais difícil que já fiz. Perdi tantas batalhas durante a filmagem que cheguei até a desconfiar que meu assistente de direção estivesse conspirando contra mim. Depois percebi que era apenas Deus. O filme, como o livro, é uma blasfêmia, por isso tenho a impressão de que só podemos atribuir a Deus aquelas ventanias e ondas terríveis que desabaram sobre nós.”

“Melville foi impelido pela magnitude de seu pensamento. Ahab está em guerra com Deus, não há dúvida acerca disso. Ele vê a máscara da baleia como a máscara usada pela divindade. O livro diz que Deus é o Mal ou, pelo menos, Ahab diz que Deus é o Mal.”

John Huston

“Não está em causa, simplesmente, a eterna luta entre o Bem e o Mal. Quem representa o Mal? Ahab? Então a baleia assassina estaria representando o Bem? Ou a baleia é o Mal e Ahab o Bem que sofreu o contágio do Mal ao persegui-lo incansavelmente? Talvez. Se Moby Dick é o símbolo da divindade, Ahab é o titã que desafia Deus, convencido de que Deus é o Mal. Na cena em que, durante a tempestade elétrica, surge o fogo-de-santelmo e Ahab recolhe na ponta do arpão e se torna seu senhor, Ahab é Prometeu. Enquanto ele fala à tripulação, o vento amaina, o mar se abranda, a tempestade acaba. Mais adiante, o titã enfrentará Moby Dick numa luta apocalíptica que só termina quando tudo e todos se submergem.”

Antonio Moniz Vianna