O dia seguinte de David Bowie

Thank you, Gary. Thank you, Marion. Thank you, everybody.

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Top 5: Musas de 2011

Considerando, em ordem de importância: relevância dos filmes, atuação, beleza, gostosura.

01. Jessica Chastain. Atuou em O Abrigo (Take Shelter), A Árvore da Vida (The Three of Life), Histórias Cruzadas (The Help), Wilde Salome, Coriolanus e Em Busca de um Assassino (Texas Killing Fields).

02. Bryce Dallas Howard. Atuou em 50% (50/50) e Histórias Cruzadas (The Help).

03. Evan Rachel Wood. Atuou em Tudo Pelo Poder (The Ides of March) e Mildred Pierce (é minissérie, mas é foda).

04. Marion Cotillard. Atuou em Meia-Noite em Paris (Midnight em Paris) e Contágio (Contagion).

05. Kirsten Dunst.  Atuou em Melancolia (Melancholia).

Meia Noite em Paris (Woody Allen, 2011)

Já era de se esperar que, após o fracasso de Você irá conhecer o homem dos seus sonhos, Woody Allen retornaria com algo um tanto melhor. Basta observar a oscilação nos seus últimos trabalhos para fazer dessa expectativa praticamente uma previsão: quando se sai mal em um ano, recupera-se no ano seguinte – geralmente retrocedendo um ano depois. Match Point é melhor do que Melinda, Melinda; O sonho de Cassandra superior a Scoop; o mesmo vale para Tudo pode dar certo em comparação a Vicky Cristina Barcelona. Agora, porém, ao contrário dos filmes citados, Meia noite em Paris está muito, muito acima de Você irá conhecer… tanto porque este deve ser esquecido como também porque o seu novo filme é absolutamente encantador, estando seguramente no seleto grupo dos seus quinze melhores trabalhos.

É o melhor Woody Allen desde Match Point – ou, quem sabe, desde Desconstruindo Harry (1997) ou Um misterioso assassinato em Manhattan (1993) ou, talvez, Crimes e pecados (1989). Já nem sei mais. O que importa é que, mesmo com os problemas constantes dessa fase do diretor nos últimos anos – sendo o maior deles uma certa dificuldade em manter uma linha narrativa fluida e permanentemente interessante -, Meia noite em Paris eleva-se, especialmente no que concerne ao seu magnífico roteiro. Inspiradíssimo, pelo menos nas cenas noturnas, sem se esquecer aí da direção de arte requintada, quando as badaladas da cidade nos fazem adentrar no universo nostálgico e charmoso da década de 1920.

Será essa a década preferida do diretor? Provável que sim. Entre as pessoas que mais admira, algumas são aqui representadas, como F. Scott e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway, Salvador Dalí, Cole Porter, Gertrude Stein, Luis Buñuel, Pablo Picasso e outras mais. No entanto, ao contrário do que poderia ocorrer em outras mãos, não há nesse filme um ponto de vista esnobe, elitista, distante do público – não é preciso ter muitas referências para se situar na história, ainda que fique a sensação, crítica e positiva, de que há tantas a coisas a se aprender… Claro, falo apenas por mim. O que me espanta é a quantidade de pessoas que, com ou sem suficiente (?) carga cultural, assistem a um filme como esse e se sentem tão superiores e especiais – como o ridículo personagem de Michael Sheen.

O elenco também surpreende. Owen Wilson, o protagonista, pode não ter um currículo exemplar mas é um bom ator. Carismático, consegue encarnar bem a figura alleniana. Marion Cotillard, uma das atrizes mais sofisticadas de seu tempo, cumpre exatamente o que se espera dela. Rachel McAdams tem um papel uniforme, então não há muito o que se explorar – sendo assim, o destaque vai para sua bela figura voluptuosa. Há ainda outras participações eficientes: Adrien Brody, Tom Hiddleston, Kathy Bates, Corey Stoll, Michael Sheen, Alison Pill. É óbvio que, em um filme como esse, mais do que nunca, a trilha sonora teria que ser especial, tendo como grande homenageado Cole Porter, que sintetiza bem o espírito de seu tempo.

Pra não dizer que esqueci de Carla Bruni…

Quando o personagem de Owen Wilson ultrapassa a “linha do tempo”, com ele o público conhece um período idealizado, porque sempre é mais fácil olhar as coisas de frente para trás. Dessa forma, algumas coisas pioraram em relação aos tempos modernos; outras, porém, melhoraram. A questão é que não devemos ficar presos ao momento em que vivemos: ao contrário, com interesse – e um pouco de sorte – podemos criar nosso próprio mundo. Pensar que o tempo que se passou era melhor do que o atual é algo que sempre existiu na humanidade, talvez por essa enorme curiosidade que nós naturalmente temos pelo passado e pela certeza de nossa finitude. As pessoas ficam, mas o mundo continua girando. Realidade triste e desesperadora, sim, mas também necessária e bela na sua vicissitude.

A cena do chuveiro

Com Janet Leigh.
Com Marion Cotillard.

OBS.: Na internet, assim como na televisão, nada se cria, tudo se copia. A segunda imagem é fácil de ser encontrada: basta ir no google e pesquisar; já a sequência original foi difícil de achar, acabei furtando (na cara de pau mesmo) do site do TCM, onde está tendo um especial do Hitchcock este mês: dei um Print Screen e corri pro abraço – e creio que continuarei roubando os screens deles, porque estão demais.