A Caçada ao Outubro Vermelho (John McTiernan, 1990)

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Um verdadeiro jogo de xadrez. Entre profissionais. Eis uma boa maneira de definir A Caçada ao Outubro Vermelho, o terceiro filme de uma sequência excepcional do diretor John McTiernan, sucedido pelos lendários Duro de matar e Predador. Ainda que sua trama sobre a Guerra Fria pareça desgastada à primeira vista, os números de bilheteria mostram que o tema ainda interessava – e muito – ao público: foram 200 milhões de dólares em arrecadação para um filme que custou pouco mais de 30 milhões. E o resultado é surpreendente porque não se trata de um filme tipicamente de ação, como os dois anteriores, repleto de cenas emocionantes e personagens “populares”, mas de um trabalho contido, de aspecto muito mais formal e de conteúdo indiscutivelmente político.

O que interessa prioritariamente ao diretor é criar uma atmosfera de tensão crescente, deixando o espectador em dúvida a respeito das reais intenções dos personagens, notadamente o Capitão Marko Ramius, figura central da trama, interpretado por Sean Connery – um gigante em cena! Afinal de contas, trata-se de um megalomaníaco destinado a provocar uma Terceira Guerra Mundial ou um rebelde que pretende desertar da União Soviética após vários anos de trabalhos prestados? Vale lembrar que o elenco é um dos grandes trunfos do filme (Alec Baldwin, Sam Neill, Scott Glenn, James Earl Jones, Tim Curry, Stellan Skarsgård…).

Analisando em retrospecto, A Caçada ao Outubro Vermelho se encaixa perfeitamente no contexto de sua época, podendo pautar uma ótima discussão sobre valores, doutrinas, guerra, obediência, liberdade, capitalismo, comunismo, motivo pelo qual, além de suas qualidades artísticas, temos aqui um importante e rico documento histórico.

Crítica do Dementia¹³. 

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A Colina dos Homens Perdidos (Sidney Lumet, 1965)

A Colina dos Homens Perdidos [The Hill] foi um marco para a carreira de Sean Connery. Mesmo que um ano antes, com Marnie, ele tenha tentado se desvincular um pouco da imagem de James Bond, esse filme de Hitchcock ainda conservava em seu personagem alguns traços bondianos – de forma que, apenas com este extraordinário filme de Sidney Lumet, ele radicalizou e se transformou. Aqui, definitivamente, não é um homem charmoso e conquistador que vemos em cena, mas um sargento com bigode na cara e pouco cabelo que, após ter abortado uma missão suicida, rebela-se contra seu superior e lhe dá um soco na cara – situação semelhante ao ocorrido com Kirk Douglas em Glória feita de sangue [Paths of glory, 1957), mas com reação diametralmente oposta: neste, Douglas leva o caso, talvez até ingenuamente, ao tribunal do exército francês, o que explica o fato de ele não ter, assim como o personagem de Connery, sido punido e enviado para um campo de (re)treinamento no Norte da África.

Lá, junto a um bando de soldados, quase todos desertores, acompanharemos ele e mais quatro conterrâneos britânicos que serão disciplinados a estar verdadeiramente aptos a “servir o país”: são alguns grupos de treinamentos, cada qual com um chefe, cujos integrantes lidarão com exercícios físicos e testes psicológicos dos mais abusivos – o principal deles, mais emblemático e que justifica o título do filme consiste em escalar e descer seguidas vezes, com peso nas costas, uma colina, situada exatamente no centro do acampamento. O tratamento dado a essa colina mostra bem a diferença entre aquele cinema e o que temos hoje: uma construção rudimentar, das mais toscas, repleta de significados e visualmente poderosa – a câmera de Lumet neste sentido tem papel magistral: em uma sequência, enquanto os soldados descem quase desmaiados pela construção, dois militares, no topo, observam e ordenam, como senhores a domar seus escravos.

The Hill, sem qualquer trilha sonora e como um filme transposto do teatro para o cinema, depende fortemente das suas atuações para obter êxito – e o elenco (Ian Bannen, Alfred Lynch, Ossie Davis, Roy Kinnear, Jack Watson, Ian Hendry…) neste filme tem papel magistral. É um deleite para os olhos a participação de Sir Michael Redgrave, o médico da prisão militar, que em momento-chave do filme, cresce para defender sua consciência e função respaldada pelas leis do exército quando dois sargentos tentam passar por cima de suas decisões com chantagens – talvez a melhor cena do filme, envolve pelo menos quatro representantes diferentes da organização militar, um tentando falar mais alto do que o outro para defender suas ordens: no final das contas, tudo não passa mesmo de política naquela busca incessante pelo poder.

É uma missão difícil escrever sobre este filme: tanta coisa acontece, são tantos diálogos grandiosos e situações bem construídas que seriam necessários muitos parágrafos para absorver bem sua força em texto – não tem jeito, só vendo mesmo o filme para confirmar sua condição de obra-prima injustamente esquecida.

Grandes filmes de verão #4

Mulheres bonitas, praias, piscinas, pôker, bares, cruzeiros, viagens em trens, essas coisas.

Um Convidado Bem Trapalhão (The Party, 1968)

As Três Noites de Eva (The Lady Eve, 1941)
Moscou Contra 007 (From Russia with Love, 1963)
O Perigoso Adeus (The Long Goodbye, 1973)
À Prova de Morte (Death Proof, 2007)
Amor, Sublime Amor (West Side Story, 1961)
Uma Aventura na Martinica (To Have and Have Not, 1944)

Grandes filmes de verão #1

Mulheres bonitas, praias, piscinas, pôker, bares, cruzeiros, viagens em trens, essas coisas.

Ladrão de Casaca (To Catch a Thief, 1955)
Os Homens Preferem as Loiras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953)
007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964)
A Primeira Noite de um Homem (The Graduate, 1967)
Gata em Teto de Zinco Quente (Cat on a Hot Tin Roof, 1958)
Um Tiro no Escuro (A Shot in the Dark, 1964)
Quanto Mais Quente Melhor (Some Like It Hot, 1959)