Mad Max: Estrada da Fúria (George Miller, 2015)

Mad Max Fury Road

Sim, Mad Max: Estrada da Fúria já nasceu clássico.

Poucas vezes nos últimos tempos saí de uma sala de cinema com a sensação de ter gasto muito bem o dinheiro do ingresso. É um filme grandioso que traduz em imagens as palavras de William Fridkin: “a perseguição é a forma mais pura de cinema, algo impossível de ser feito em qualquer outro meio, seja na literatura, num palco ou numa pintura em tela. Uma perseguição tem que parecer espontânea e fora de controle, mas precisa ser meticulosamente coreografada”.

Sobre o filme, recomendo que o leitor leia o texto do Demmentia¹³, do qual concordo inteiramente; aliás, toda a retrospectiva sobre a série feita neste blog – que é um dos melhores do país sobre cinema – merece ser conferida.

O Massacre da Serra Elétrica (Tobe Hooper, 1974)

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O Massacre da Serra Elétrica completou 40 anos de lançamento e recebeu uma grande homenagem no Festival de Cannes, tendo sido Tobe Hooper, o diretor do filme, aplaudido por oito minutos pela plateia lotada na sessão introduzida por Nicolas Winding Refn, como pode ser conferido nesta matéria. Aproveitei o momento histórico e baixei o filme para revê-lo, em uma daquelas edições de alta qualidade que podem ser encontradas nesta coisa maravilhosa chamada internet.

Digo que revi, mas, sendo sincero, foi como se tivesse visto essa obra-prima pela primeira vez: se antes, no começo de minha adolescência, achava o filme “tosco”, agora, em vida adulta, finalmente percebi a grandiosidade deste que é um dos melhores filmes de terror já feitos. E não só neste gênero: de cara, entrou na minha lista dos preferidos de todos os tempos, em qualquer classificação que se possa imaginar.

Creio que poucos filmes conseguem transmitir um impacto visual e psicológico tão grande ao espectador: raramente a insanidade humana foi tão bem retratada. É possível duvidar que nem o próprio diabo poderia imaginar a família de perversos canibais texanos criada por Tobe Hooper e Kim Henkel, tendo como integrante mais famoso Leatherface: um homem alto, gordo, forte e demente que mata suas vítimas como se não passassem de gados indefesos. Aliás, se há um filme que todo vegetariano deveria amar é este aqui.

Outras versões da história foram realizadas, mas nem é preciso vê-las todas para afirmar que nenhuma delas, inclusive as que ainda serão filmadas, alcançaram ou poderão alcançar o nível do original: o cinema parece não comportar mais tantas qualidades contraditórias quanto as que podem ser conhecidas neste filme absolutamente eterno.

Caminho sem volta (James Gray, 2000)

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Embora tenha apenas cinco filmes em seu currículo, James Gray é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores diretores em atividade, certamente o maior surgido nos anos 90. Seu estilo clássico, sem piruetas cinematográficas, verdadeiramente focado nos personagens e nas relações que travam entre si (e com o espectador), bem como na construção da trama, revela um cineasta consciente de suas qualidades e se deu papel, sem precisar apelar para truques baratos com a intenção de chamar a atenção do público e da crítica.

Sem muitas dificuldades podemos definir qual o tema central, recorrente, na filmografia de James Gray: a família. Em todos os seus filmes, o aspecto familiar é a base de sustentação. Mesmo os personagens perdidos almejam reencontrar alguma dimensão familiar que apenas lembram remotamente. Ou construir novas relações que possam chamar de duradouras. Assim, o fator tempo possui também crucial importância, como não poderia deixar de ser, em seu cinema.

Sobre Caminho sem volta [The Yards], trata-se de um grande filme, merecedor do elenco de primeira linha que possui, contando com atores inesquecíveis do quilate de Faye Dunaway, James Caan, Ellen Burstyn, além dos então jovens Charlize Theron, Mark Wahlberg e, claro, Joaquin Phoenix. Em muito lembra O Delator [The Informer, 1935] na pequena odisseia moral do protagonista, com uma diferença importante: enquanto que na obra de John Ford a delação é o ponto de partida para a busca pela redenção do personagem de Victor McLaglen, no filme de Gray acontece exatamente o inverso: a recuperação moral de Wahlberg significa exatamente a coragem para denunciar algumas das pessoas que antes faziam parte daquilo que ele podia chamar de família.