A Bolha (Irvin S. Yeaworth Jr, 1958)

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Como bem definiu a Criterion Collection em seu site, The Blob é um filme de prazeres inesperados. Não apenas por ser a estreia de STEVE MCQUEEN – o único com letras maiúsculas, com todo respeito que o diretor, de carreira promissora, merece – como protagonista, mas por retratar tão bem parte da sociedade americana dos anos 1950, focando especialmente nos anseios dos jovens crescidos no pós-guerra, período de enorme avanço social, cultural e econômico nos Estados Unidos.

Com um orçamento apertado, os diretores Irvin S. Yeaworth Jr e Russell S. Doughten Jr. (não creditado) apostaram na fórmula consagrada em Assim estava escrito (The bad and the beautiful, 1952), do grande Vincente Minnelli, ou seja, instigar a imaginação do público, fazendo com que o monstro aparente ser mais assustador do que de fato é – afinal de contas, estamos falando de uma ridícula bolha vinda do espaço que toma o corpo das pessoas que com ela entram em contato, aumentado, consequentemente, de tamanho e apetite…

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No entanto, o grande trunfo do filme não é exatamente a construção do suspense. Ele existe, rendendo inclusive algumas cenas de susto e tensão exemplares, mas o que chama mesmo a atenção é o delicioso retrato de uma pequena cidade americana dos anos 50, com seus jovens repletos de esperança, ansiosos por entretenimento e experiências na vida. The Blob consegue captar extremamente bem essa inocência perdida dos adolescentes, naquele período em que a liberdade sexual e o rock and roll floresciam. A camaradagem dos amigos, os romances, as sessões de cinema, os carros, as roupas… Tudo isso nos faz ter vontade de viver aquele período especial.

O monstro, desconhecido e sem personalidade, apenas amplifica a necessária e eficaz construção de personagens-chaves que representam, cada qual a seu modo, parte da comunidade, que deve se defender, com seus parcos recursos, da ameaça externa – seria a bolha, vermelha, uma alegoria ao inimigo comunista? Ou qualquer tipo de perigo inesperado e grande o suficiente para unir as pessoas? Como ela não tem personalidade definida, pode se adaptar ao longo do tempo, sendo essa, certamente, uma das explicações para o filme funcionar tão bem até hoje.

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Algumas cenas são emblemáticas, como o momento em que os jovens protagonistas, no início do namoro, avistam uma estrela cadente – na verdade, exatamente o monstro extraterrestre.  Ou quando um curto-circuito, provocado pelo tropeço de uma das vítimas, acaba por trazer escuridão à casa onde a bolha, pela primeira vez, assume completamente a sua forma (o momento de maior tensão do filme). Mas, entre todas, a melhor, totalmente clássica, é aquela em que o público de uma sala de cinema, em plena exibição da sessão de meia-noite, corre apavorado após o ataque do monstro (até hoje em Phoenixville, Pensilvândia, onde a história acontece, as pessoas recriam essa cena na chamada “Blobfest”, atração anual da pacata cidade).

Não custa repetir: é uma delícia de filme, com muitos prazeres inesperados. E o primeiro deles pode ser conferido já nos créditos iniciais, certamente um dos melhores já feitos, com a maravilhosa canção-tema de Burt Bacharach e Mack David.

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Vida besta…

Steve McQueen e sua filhinha, Terry, pelas ruas de Los Angeles em 1964.
Henry e Jane em algum momento dos anos 50.
Mastroianni contemplando o cartaz italiano de A Felicidade Não Se Compra.
Audrey Hepburn aproveitando a vida e o céu azul, azul até demais, no ano de 1951.
Marilyn desenvolvendo sua capacidade de pensamento, linda como sempre.

The Windmills of Your Mind

Round like a circle in a spiral/ Like a wheel within a wheel/ Never ending on beginning/ On an ever-spinning reel/ Like a snowball down a mountain/ Or a carnival balloon/ Like a carousel that’s turning/ Running rings around the moon
Like a clock whose hands are sweeping/ Past the minutes on its face/ And the world is like an apple/ Whirling silently in space/ Like the circles that you find/ In the windmills of your mind
Like a tunnel that you follow/ To a tunnel of its own/ Down a hollow to a cavern/ Where the sun has never shone/ Like a door that keeps revolving/ In a half-forgotten dream
Or the ripples from a pebble/ Someone tosses in a stream/ Like a clock whose hands are sweeping/ Past the minutes on its face
And the world is like an apple/ Whirling silently in space/ Like the circles that you find/ In the windmills of your mind
Keys that jingle in your pocket/ Words that jangle in your head/ Why did summer go so quickly?/ Was it something that you said?
Lovers walk along a shore/ And leave their footprints in the sand/ Was the sound of distant drumming/ Just the fingers of your hand?
Pictures hanging in a hallway/ Or the fragment of a song/ Half-remembered names and faces/ But to whom do they belong?
When you knew that it was over/ You were suddenly aware/ That the autumn leaves were turning/ To the color of her hair?
Like a circle in a spiral/ Like a wheel within a wheel/ Never ending on beginning/ On an ever-spinning reel/ As the images unwind/ Like the circles that you find/ In the windmills of your mind

Versão de Noel Harrison.

Versão de Dusty Springfield.

Versão de Henry Mancini.

Versão de Val Doonican.

Versão de Barbara Lewis.

Grandes filmes de verão #3

Mulheres bonitas, praias, piscinas, pôker, bares, cruzeiros, viagens em trens, essas coisas.

Crown, o Magnífico (The Thomas Crown Affair, 1968)
A Princesa e o Plebeu (Roman Holiday, 1953)
Boogie Nights - Prazer Sem Limites (Boogie Nights, 1997)
O Pecado Mora ao Lado (The Seven Year Itch, 1955)
Era Uma Vez no Oeste (C'era una Volta il West, 1968)
Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, 1981)
Charada (Charade, 1963)

Crown, o Magnífico (Norman Jewison, 1968)

The Thomas Crown Affair é um êxtase cinematográfico, uma obra que consegue assimilar o entretenimento com o requinte estético comparável a filmes como North by northwest [Intriga Internacional, 1959] e Charade [Charada, 1963]. A direção pop de Norman Jewison, também este um grande realizador, trabalha paralelamente com outros brilhantes quesitos, como a trilha sonora, o figurino (as moças vão adorar as roupas de Faye Dunaway) e as cores vibrantes, para inserir o público ao ambiente único dos anos 60 – este é um daqueles filmes que captam o que há de melhor no cinema de sua época; parece emergir das telas o otimismo sessentista, naquela explosão cultural que soube valorizar a diversão, o entretenimento, de uma forma atrevida, ousada, intensa, mas nunca vulgar.

Em The Thomas Crown Affair, Steve McQueen é um empresário de sucesso, um bon vivant que lidera grandes roubos não por necessidade, mas por prazer, é a aventura e os seus subseqüentes riscos que o atraem. Ele orquestra um grupo que envolve pessoas diversas e desconhecidas: nenhuma peça conhece a verdadeira identidade do líder, nem ao menos a sua face.

Após assaltar de uma banco a quantia de quase 3 milhões de dólares, Thomas Crown passa a ser investigado pela provocante, inteligente e eficaz “detetive” de uma seguradora que aposta nela para reaver a quantia furtada. Interpretada por Faye Dunaway, a investigadora costuma fazer uso de práticas inescrupulosas e até ilegais para se aproximar dos golpistas. Inicia um affair com Thomas Crown ao admitir para ele que está lidando com o principal suspeito do crime: sabe ela que os riscos fazem parte da personalidade dele, e administrá-los pode ser sua principal arma na sedução.

O público, então, se deliciará com uma espécie de jogo de gato e rato, ou melhor, de gata e gato: os dois são espertos o suficiente para trapacearem entre si sem que isso os ofenda; sabem eles que, no fundo, são parecidíssimos, apenas estão em lados opostos. Estão mesmo? É o que saberemos no decorrer deste filme, que possui, dentre todas as qualidades citadas, a segunda melhor cena de xadrez da história, sem dúvidas a mais excitante.